quarta-feira, 18 de maio de 2011

O amor, a tristeza e a saudade: o que dizem de nós?

Após uma bela palestra sobre os tema: "O amor, a tristeza e a saudade: o que dizem de nós, pude perceber alguns aspectos com outros olhos, compartilho aqui alguns conceitos que nos foram passados e que vale a pena refletirmos..
Sobre o amor... Segundo a mitologia grega, o amor (Eros) nasceu da união da deusa Penúria (miserável e faminta) e do deus Poros (astuto e belo). "Eros herdou a personalidade de ambos, o que vem a explicar segundo o mito, um sentimento tão contraditório como o amor. Uma definição em latim diz que: a = ausência / mors = morte, podemos concluir que no sentido etimológico amor é a ausência da morte, ou seja, presença da vida e a vida nos leva ao movimento, o amor é o que faz as coisas fluírem... O amor é fruto de nossa falta, é uma tentativa de supri-la, é o reconhecimento do outro. O amor pode dizer muito de nossas faltas e de como preenchemos esta falta, e o tipo de pessoa que escolhemos revela como estamos no momento. Temos as paixões, a falta que o amor faz na paixão traz o desespero, o tal fogo da paixão que nos leva a conseqüências impensáveis. Temos também o apego (amor obsessivo), aquele que considera o outro o ar que respiramos, é uma eterna relação de dependência, o que de certa forma não se pode considerar como amor verdadeiro, pois o amor deixa o outro livre para que ele volte, é incondicional, não confunde a ausência com a falta, e devido a isso não se torna egoísta e cruel durante um período em que o outro se encontra ausente . Até mesmo os relacionamentos mais duradouros são um eterno ir e vir, pois o amor que os rege traz a compreensão... esta que vê e entende a necessidade que o outro tem de se recolher em alguns momentos, de organizar o seu próprio interior. É o Eros, uma mistura de tristezas, alegrias, fome e saciedade, desentendimentos mas acima de tudo compreensão, repleto de surpresas que nos amadurecem. Como dizia Djavan: "Meu ar de dominador dizia que eu ia ser seu dono e nessa eu dancei (...) Meu coração em paz se abalou (...) Mesmo quando ele não vai bem, algo me diz que o sofrimento leva além, não existe amor sem medo (...) E eu sou o homem que pode lhe dar além de calor, fidelidade." - Fidelidade é um sacrifício que se faz por amor! -
Quanto a saudade... Tudo que nos traz saudade revela um certo afeto. Segundo Fabio Hermann, "quando nos entregamos a alguém, mesmo que em pequena medida, não sabemos se nos recuperaremos..." Ao nos perdemos podemos nos recuperar de uma forma diferente! A saudade atravessa o mundo numa viagem quase só de paradas e lembranças, que valoriza pequenas estações de repouso, constituído de simples apeadeiro onde se toma fôlego para a etapa seguinte. A saudade pode ser algo saudável desde que saibamos vivê-la. Tudo que traz saudade revela algo no passado que está ausente, que se cria e recria.
Quanto a tristeza... A tristeza aparece com a transitoriedade dos objetos, somos obrigados a viver em uma sociedade onde não se pode sofrer, somos obrigados a ser felizes, e como tudo está tão transitório, criamos o medo de tentar, de investir. Devemos então romper com esse pensamento, pois o sofrimento é necessário, porém temos medo do vazio da dor, devido a isso as pessoas tem sido vistas apenas por seu lado utilizável, e a medida que aceitamos nossas dores, somos mais capazes de compreender a dor do outro. Não precisamos fingir que estamos bem, temos o direito de sofrer nossas perdas, de achar que sempre podemos ter mais, essa incompletude é o que nos faz buscar o nosso melhor, buscar amar mais e ser mais amado. É o que nos movimenta. Por isso cabe a nos refletirmos: "o outro só vai conosco até onde vamos, é necessário primeiramente a nossa própria transcendência ".

Laay S.S

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